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Diretor da OIT alerta para riscos climáticos e impactos sobre empregos e trabalhadores

ABQV
há 4 horas
4 min de leitura

Vinícius Pinheiro participou de debate sobre mudanças climáticas e qualidade de vida no 24º Congresso Brasileiro de Qualidade de Vida (CBQV) e destacou os desafios da transição para uma economia de baixo carbono.



As mudanças climáticas já produzem impactos concretos sobre a saúde, a segurança e a qualidade de vida dos trabalhadores. O avanço de eventos extremos, como ondas de calor, enchentes e outros desastres ambientais, impõe novos desafios para empresas, governos e para toda a sociedade.


Esse foi um dos principais temas debatidos durante a palestra “Mudanças Climáticas e os Impactos na Qualidade de Vida”, realizada no segundo dia do 24º Congresso Brasileiro de Qualidade de Vida (CBQV), promovido pela Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV).


A discussão foi mediada pela psicóloga e diretora de Mercado e Expansão da ABQV, Ana Carolina Peuker, e contou com a participação de Mariana Noronha, do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS); do médico, pesquisador e professor da Universidade de São Paulo (USP), João Silvestre Silva Junior; e de Vinícius Pinheiro, diretor da Organização Internacional do Trabalho (OIT).


Eventos climáticos extremos já geram impactos econômicos e sociais


Durante a apresentação, Mariana Noronha destacou a dimensão dos eventos climáticos extremos no Brasil. Segundo dados apresentados pela pesquisadora, entre 2013 e 2024 foram emitidos 70.361 decretos de emergência ou calamidade pública em 5.279 municípios brasileiros, com impactos econômicos estimados em R$700 bilhões.


Além dos prejuízos financeiros, as consequências dos desastres atingem de maneira mais intensa grupos em situação de maior vulnerabilidade social, como a população negra, moradores de regiões periféricas, idosos e crianças.


Para os trabalhadores, os efeitos também podem ser significativos. O aumento da temperatura, por exemplo, está associado a riscos à saúde e à segurança durante a realização das atividades profissionais.


Calor extremo pode aumentar riscos à saúde


O médico e pesquisador João Silvestre Silva Junior chamou atenção para os efeitos da sobrecarga térmica provocada pelo aumento das temperaturas.


Segundo ele, a exposição ao calor intenso pode estar relacionada a problemas como Lesão Renal Aguda, alterações cardiovasculares e intercorrências médicas graves. Alguns grupos de trabalhadores podem apresentar maior vulnerabilidade, entre eles gestantes e profissionais em processo de envelhecimento.


Os efeitos também chegam ao ambiente corporativo. Trabalhadores expostos a temperaturas extremas podem apresentar redução de produtividade e aumento do risco de acidentes, tornando a adaptação às novas condições climáticas uma questão também relacionada à saúde e à segurança ocupacional.


Riscos ambientais vão além das altas temperaturas


Vinícius Pinheiro, diretor da Organização Internacional do Trabalho (OIT), destacou que os impactos das mudanças climáticas sobre o mundo do trabalho não se restringem ao calor.

Entre os riscos ambientais apontados estão a poluição do ar, a exposição à radiação solar — fator associado ao câncer de pele —, o contato com agroquímicos e pesticidas e as doenças transmitidas por vetores.


Para o diretor da OIT, o cenário exige que empresas e governos estejam preparados para lidar com diferentes tipos de emergência e com as transformações provocadas pela transição climática.


“A transição para uma economia de baixo carbono é necessária, mas precisa considerar os impactos sobre o mundo do trabalho. O desafio é promover essa transformação sem deixar para trás trabalhadores que ainda vivem em condições de precariedade e informalidade.” — Vinícius Pinheiro, diretor da OIT


Transição para uma economia de baixo carbono


Durante a palestra, Vinícius também abordou a necessidade de uma transição para uma economia sustentável e de baixo carbono. Segundo ele, essa transformação tende a alterar a dinâmica de diferentes setores econômicos, com a redução de determinadas atividades e, consequentemente, impactos sobre postos de trabalho.


O desafio, de acordo com o diretor, é realizar essa transição levando em consideração as desigualdades existentes no mercado de trabalho. O Brasil ainda convive com elevados níveis de informalidade e precariedade, ao mesmo tempo em que precisa se adaptar às transformações provocadas pelas mudanças climáticas e pelas novas tecnologias.


Nesse contexto, a tecnologia pode exercer um papel importante tanto na mitigação dos impactos ambientais quanto na adaptação a novos cenários climáticos.


“Talvez a saída seja canalizar a utilização da tecnologia para a mitigação e para a adaptação”, destacou Vinícius durante o congresso, ressaltando que a transformação precisa considerar as diferentes realidades econômicas e sociais existentes no país.


Empresas precisam estar preparadas para cenários de crise


Outro ponto destacado pelo diretor da OIT foi a importância de as organizações desenvolverem protocolos específicos para situações de emergência e calamidade.


Para além de medidas de resposta após a ocorrência de um desastre, a preparação pode contribuir para reduzir riscos e proteger trabalhadores diante de eventos climáticos extremos.


Nesse cenário, a discussão sobre qualidade de vida ganha uma nova dimensão. Adaptar ambientes e processos de trabalho, proteger grupos mais vulneráveis e preparar organizações para situações de emergência passam a fazer parte das estratégias necessárias para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas.


A palestra reforçou, assim, que a agenda climática e a agenda de qualidade de vida estão cada vez mais conectadas. Para trabalhadores e empresas, preparar-se para essa nova realidade significa considerar não apenas os impactos ambientais, mas também suas consequências sobre saúde, segurança, produtividade, emprego e condições de trabalho.






 
 
 

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