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A solidão virou assunto de segurança e saúde do trabalho

ABQV
16 de set.
3 min de leitura

Um relatório da Organização Mundial da Saúde colocou número em algo que parecia impossível de medir, e a conta chega também ao ambiente corporativo.



A Comissão sobre Conexão Social da Organização Mundial da Saúde divulgou um relatório global revelando que uma em cada seis pessoas no mundo é afetada pela solidão, e que ela está associada a cerca de 100 mortes por hora, mais de 871 mil mortes por ano.

O dado costuma ser lido como questão de saúde pública, distante da rotina de uma empresa. Só que o adulto solitário passa a maior parte das horas acordado dentro do trabalho, e é ali que os efeitos aparecem primeiro.


O que a solidão faz com quem trabalha

Segundo a OMS, a solidão e o isolamento social estão correlacionados a um aumento no risco de doenças, incluindo AVC e declínio cognitivo, e impactam de forma negativa a saúde mental. O relatório aponta ainda que adultos solitários enfrentam dificuldades para manter empregos e podem ter rendimentos menores ao longo da vida.

Outro achado desmonta a ideia de que se trata de um problema da terceira idade. Entre adolescentes de 13 a 17 anos, 20,9% relatam solidão, contra 11,8% dos maiores de 60 anos. Ou seja, boa parte de quem chega agora ao mercado de trabalho já traz o quadro.


Estar cercado de gente não resolve

A solidão não é sinônimo de estar sozinho. Ela nasce da distância entre as conexões que a pessoa desejaria ter e as que ela de fato tem, o que explica por que alguém pode se sentir só em uma equipe cheia, em uma reunião com doze participantes ou em um grupo de mensagens que não para de tocar.


A OMS aponta que solidão e isolamento social têm múltiplas causas, incluindo saúde precária, baixa renda, viver só e a influência de tecnologias digitais.


Aqui o tema se cruza com um dado da própria ABQV. O levantamento da associação com empresas que somam mais de 300 mil colaboradores mostrou que 88,9% não possuem política formal sobre responder mensagens de trabalho depois do expediente. A conexão permanente ocupa o tempo que sobraria para vínculo de verdade, dentro e fora da empresa.


Onde isso encosta na gestão de risco

Desde 26 de maio de 2026, a fiscalização da NR-1 quanto aos fatores de risco psicossociais tem caráter punitivo, com possibilidade de autuação de empresas cujo PGR não contemple o mapeamento e o gerenciamento desses riscos. Relações interpessoais e apoio social no trabalho fazem parte desse mapa.

O contexto brasileiro aparece nos números do Ministério da Previdência Social, que registrou 472.328 afastamentos por transtornos mentais em 2024, alta de 68% sobre o ano anterior.


O que a empresa consegue fazer

Nenhuma organização resolve sozinha um problema desse tamanho, mas algumas decisões estão inteiramente sob seu controle: criar espaços de convivência que não dependam de pauta de reunião, preparar o gestor direto para perceber quem está se afastando do grupo, revisar a carga de trabalho que impede qualquer vida social fora do expediente e tratar integração de pessoas remotas como parte da rotina.



O 24º Congresso Brasileiro de Qualidade de Vida coloca esse debate em pauta. Entre os temas da programação está a solidão tratada como epidemia invisível, ao lado dos riscos psicossociais, do impacto das redes sociais na saúde mental e do futuro da saúde da população brasileira.


O congresso acontece de 29 de setembro a 1º de outubro, no Sesc Vila Mariana, em São Paulo, com mais de 60 palestrantes, 6 eixos temáticos e um dia inteiro de pré-congresso. As inscrições estão abertas em abqv.org.br.


Fonte: Relatório da Comissão sobre Conexão Social da Organização Mundial da Saúde, 2025.


Sobre a Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV)


A Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV) é uma organização sem fins lucrativos, fundada em 1995, com a missão de transformar o cenário da saúde e da qualidade de vida nas organizações. Parte do princípio de que o sucesso empresarial depende do bem-estar físico, mental e social dos trabalhadores, promovendo não apenas produtividade, mas também uma sociedade mais equilibrada e saudável. Reconhecida internacionalmente como referência no tema, a ABQV atua para impactar positivamente a vida das pessoas e a cultura organizacional por meio de conhecimento, inovação baseada em evidências e ações estruturadas em saúde integral. Para isso, fomenta parcerias nacionais e internacionais, apoia pesquisas e estudos, capacita profissionais e empresas, promove eventos e dissemina tendências e boas práticas de mercado. Sua atuação é guiada por um Código de Conduta Ética e pelos valores que dão significado ao seu trabalho: Responsabilidade, Integração, Saúde Integral, Inovação com Propósito, Diversidade e Inclusão, e Sustentabilidade.




 
 
 

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