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70% das organizações identificam barreiras relacionadas à idade no ambiente de trabalho, mostra pesquisa inédita

ABQV
há 11 minutos
4 min de leitura

Levantamento com 110 empresas, que juntas representam aproximadamente 530 mil colaboradores brasileiros, mostra que longevidade já entrou na agenda corporativa, mas ainda enfrenta falta de conhecimento, prioridade e políticas estruturadas 


A longevidade está ganhando espaço nas discussões sobre gestão de pessoas, mas ainda há um longo caminho para que o tema seja incorporado de forma estratégica pelas organizações. É o que revela uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV) com 110 respondentes, que juntos representam mais de 530 mil funcionários brasileiros.


Um dos principais achados do levantamento é a percepção de que a idade ainda pode representar um obstáculo à trajetória profissional. Para 20% dos participantes, a idade representa, sim, algum tipo de barreira para contratação, promoção ou desenvolvimento profissional: 13,6% consideram que não se trata de uma barreira, outros 13,6% disseram que raramente representam uma barreira, enquanto 50% afirmam que ela se apresenta como barreira em algumas áreas ou situações. 2,8 não souberam afirmar.

De acordo com a psicóloga, especialista em longevidade e Diretora da ABQV, Luiza Cruz, o dado chama atenção em um cenário no qual as organizações precisam lidar com equipes formadas por diferentes gerações.

“Não somente as diferentes gerações, mas com a permanência de profissionais por períodos cada vez mais longos no mercado de trabalho. A pesquisa mostra, entretanto, que essa realidade ainda não se converteu plenamente em políticas organizacionais estruturadas”, destaca.


Longevidade ainda é tratada de forma pontual


Quando questionadas sobre o estágio da organização em relação à longevidade, as respostas indicam que o assunto ainda está em processo de consolidação. Entre as alternativas apresentadas, 26,4% afirmaram que existem iniciativas pontuais, enquanto 19,1% indicaram que o assunto já começou a ser discutido, porém sem ações. Outros 38,2% relatam que o tema ainda não foi discutido na empresa, e 7,3% afirmam que a longevidade já está integrada à estratégia da organização.


O levantamento também mostra que as iniciativas existentes estão concentradas principalmente em ações relacionadas à saúde e à prevenção. 40,9% das organizações afirmam desenvolver programas de prevenção e promoção da saúde, enquanto 28,2% realizam ações de capacitação e desenvolvimento. Programas de preparação para a aposentadoria aparecem em 20,9% das respostas, o mesmo percentual observado para ações de diversidade etária.


Já iniciativas diretamente relacionadas à contratação, retenção ou desenvolvimento de profissionais com 60 anos ou mais aparecem em 18,2% das organizações.


Programas de mentoria ou transferência de conhecimento entre gerações são mencionados por 15,5%, enquanto apenas 11,8% relatam adaptação das condições de trabalho. Somente 0,9% afirma que a gestão e todas as atividades da organização já estão integradas à perspectiva da longevidade.


“Os resultados apontam, portanto, para uma diferença entre iniciativas voltadas à promoção da saúde e preparação para o envelhecimento e políticas mais amplas de gestão da carreira, permanência, desenvolvimento e valorização dos profissionais maduros”, avalia Luiza Cruz.


Falta de conhecimento é apontada como principal barreira


Entre os principais obstáculos para o avanço da agenda de longevidade, a falta de conhecimento sobre o tema aparece em primeiro lugar, citada por 44,5% dos participantes. Em seguida estão a baixa priorização ou apoio, mencionada por 33,6%, e a falta de dados e indicadores, com 20%.


Também aparecem como barreiras os preconceitos ou estereótipos, citados por 21,8%, e a resistência cultural, apontada por 18,2%. A ausência de uma área responsável pelo tema foi mencionada por 15,5%, enquanto a falta de orçamento ou recursos apareceu em 14,5% das respostas.


“Os dados sugerem que a construção de uma agenda de longevidade não depende apenas de recursos financeiros. O desafio envolve também ampliar o conhecimento sobre o tema, colocá-lo entre as prioridades da organização e desenvolver mecanismos capazes de acompanhar seus resultados”, explica a Diretora.


Lideranças ainda precisam ser preparadas para equipes multigeracionais


A preparação das lideranças é outro ponto de atenção identificado pelo levantamento. Quando questionadas sobre a existência de preparação para gerir equipes formadas por diferentes gerações, 34,5% das organizações afirmaram que não existe preparação sobre o tema.


Outras 21,8% disseram que o assunto aparece apenas em discussões ou ações informais, enquanto 18,2% relataram a existência de ações ou capacitações pontuais. Os dados mostram que a preparação sistemática das lideranças para lidar com a diversidade etária ainda não está disseminada.


Organizações demonstram intenção de avançar


Apesar dos desafios, o levantamento também identifica uma perspectiva de avanço. Ao serem questionadas sobre onde pretendem chegar nos próximos dois anos, as organizações apontam diferentes níveis de desenvolvimento da agenda de longevidade, desde iniciar discussões e sensibilizações até implementar iniciativas, ampliar programas e estruturar políticas.


Entre as frentes consideradas prioritárias para os próximos dois anos estão saúde e capacidade funcional, mencionada por 41,8% dos respondentes; integração entre gerações, com 36,4%; desenvolvimento das lideranças, com 30,9%; e desenvolvimento e aprendizagem, também com 30,9%.


Também aparecem com destaque retenção e valorização de profissionais, com 30,9%, e diversidade etária e enfrentamento do etarismo, igualmente com 30,9%.



Longevidade como parte da qualidade de vida no trabalho


Para Luiza Cruz, os resultados reforçam a necessidade de ampliar a discussão sobre longevidade para além da preparação para a aposentadoria e das ações tradicionais de saúde.


“A presença de profissionais de diferentes gerações traz para as organizações questões relacionadas à saúde, aprendizagem, desenvolvimento profissional, liderança, transferência de conhecimento, desenho do trabalho, diversidade e combate a preconceitos relacionados à idade”, completa.


Os resultados completos da pesquisa serão apresentados durante o 24º Congresso Brasileiro de Qualidade de Vida, promovido pela Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV), entre 29 de setembro e 1º de outubro, no Sesc Vila Mariana, em São Paulo.


Com o tema “Qualidade de Vida no Trabalho na Era das Transições”, o congresso reunirá especialistas e profissionais para discutir as transformações que estão impactando o mundo do trabalho e os desafios relacionados à promoção da qualidade de vida nas organizações.

 
 
 

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